Apartamento Malvarosa - Mobiliário
Arquitetura
- Ano
- 2021
- Fase
- Concluído
- Categoria
- Design e Mobiliário
Peças desenhadas à medida e feitas com quem as constrói: a ferragem entra no desenho ao mesmo tempo que a madeira.
Desenhar mobiliário é a escala em que a arquitetura deixa de poder adiar decisões. Uma junta mal resolvida numa parede fica a dois metros de distância; numa gaveta fica debaixo da mão, todos os dias.
A cómoda em nogueira é feita a partir dessa exigência. As frentes das gavetas são cortadas em sequência da mesma prancha, de modo a que o veio atravesse a peça inteira sem interrupção, e o puxador desaparece — é um rasgo corrido na espessura da frente, o que evita qualquer peça aplicada a interromper o desenho. O volume assenta em pernas metálicas finas, recuadas, que o levantam do pavimento e o deixam ler como um bloco suspenso. A mesa de cabeceira repete a mesma madeira em consola, sem tocar no chão.
O protótipo em contraplacado mostra a outra metade do trabalho, a que não se vê na peça acabada: um suporte metálico em V, maquinado, e os varões torneados que o atravessam. A ferragem é desenhada e ensaiada em bruto antes de haver madeira final — é ela que decide se a peça funciona, e não o contrário.
Os candeeiros pertencem à mesma família de decisões noutro material. O corpo é têxtil, plissado e translúcido, e é a prega que faz o trabalho: difunde a fonte, dá volume a uma peça que pesa quase nada, e transforma o candeeiro de pé numa coluna de luz em vez de num objeto iluminado.
| Dono de obra | Particular |
|---|---|
| Fotografias | Atelier Geometria |